Guia Alimentar

O manual oficial, baseado em evidência científica, sobre como comer melhor e viver com saúde

Publicado pelo Ministério da Saúde e apoiado pelo Idec, o Guia Alimentar para a População Brasileira mostra que uma alimentação saudável ajuda a promover a sustentabilidade, a cultura alimentar e a produção local de alimentos.

O que defendemos

A adoção do Guia Alimentar como base para orientar a população brasileira a promover uma alimentação saudável e fortalecer a formulação de políticas públicas voltadas a possibilitar escolhas alimentares mais saudáveis.

O que é importante saber sobre o assunto

  • O Guia Alimentar para a População Brasileira é baseado em pesquisas e evidências científicas.
  • É com base no Guia que nutricionistas da rede pública escolar preparam o cardápio mais adequado e saudável aos alunos e que os profissionais de saúde orientam práticas alimentares mais saudáveis no âmbito dos serviços de saúde.
  • Alimentação saudável está relacionada com sustentabilidade, cadeia de produção dos alimentos, comidas regionais, questões econômicas e muito mais.
  • O Guia é reconhecido internacionalmente e conta com o apoio da Organização Mundial da Saúde e serve de referência para outros países adotarem medidas de estímulo à alimentação saudável.
  • Além de trazer dicas para se alimentar melhor, valorizando a cultura alimentar e a produção local de alimentos, o Guia também apresenta diretrizes para a alimentação saudável e informações sobre produtos ultraprocessados, que fazem mal à saúde.
  • O Guia utiliza a classificação NOVA de alimentos, que tem quatro categorias: alimentos in natura ou minimamente processados (adquiridos da mesma forma ou de forma próxima ao seu estado natural, como frutas frescas ou arroz embalado), ingredientes culinários (extraídos de ingredientes in natura e utilizados para cozinhar, como óleos, sal e açúcar), alimentos processados (um misto dos dois grupos anteriores, e, por fim, produtos alimentícios ultraprocessados. Amplamente aceita na comunidade científica global, a NOVA influenciou pesquisas mundo afora — e mostrou com clareza o poder nocivo dos ultraprocessados. Ela também é a base de outros documentos oficiais de orientações para a alimentação adequada e saudável em países como França, Bélgica, Canadá e Uruguai
  • O Guia recomenda que o consumo de alimentos processados seja reduzido e que os produtos ultraprocessados sejam evitados, respeitando a diversidade regional brasileira e os diferentes grupos populacionais.
  • O Guia orienta a implementação de políticas públicas de forma coesa em diferentes setores de governo, envolvendo toda a cadeia da produção e distribuição de alimentos. Exemplos: normativa que proibiu a comercialização e a utilização de recursos federais para compra ou oferta de alimentos ultraprocessados; atualização das diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar; elaboração de projetos de lei que regulamentam a comercialização de alimentos nas escolas.

Dados importantes

O alto consumo de ultraprocessados está comprovadamente associado à problemas de saúde

Estudos realizados com populações variadas e com diferentes desenhos metodológicos confirmam que o consumo de produtos ultraprocessados provocam ganho de peso e aumento da adiposidade, diabetes, hipertensão e outras doenças cardiovasculares, depressão, câncer de mama e cânceres em geral, asma em crianças, disfunções renais e mortes prematuras.

Fontes: Diálogo sobre ultraprocessados: soluções para sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis; Alimentos ultraprocessados: Uma ameaça global à saúde pública

Porque os ultraprocessados fazem mal à saúde?

O consumo de ultraprocessados piora a ingestão nutricional por conta de sua alta quantidade de açúcares, sódio, gorduras saturadas, gorduras trans e carboidratos altamente refinados na alimentação. Além disso, contém substâncias químicas prejudiciais à saúde como contaminantes, aditivos industriais e compostos químicos decorrentes das embalagens.

Fonte: Diálogo sobre ultraprocessados: soluções para sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis

Porque o consumo de ultraprocessados está tão alto?

O consumo excessivo de ultraprocessados está associado a conveniência, sabor e marketing abusivo. Os produtos em geral são prontos para comer ou para esquentar e são elaborados para não saciar o consumidor. O marketing é altamente abrangente e persuasivo, frequentemente direcionado a crianças, bem como posicionamento eficaz das marcas. Além disso, muitas vezes os preços dos ultraprocessados são mais atrativos do que os produtos in natura.

Fonte: Diálogo sobre ultraprocessados: soluções para sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis

Efeitos dos alimentos ultraprocessados para o meio ambiente

A cadeia produtiva que privilegia as monoculturas – fonte dos ultraprocessados – tem sido apontada como o principal agente causador de grandes impactos ambientais. Ela é responsável por 80% da conversão do uso da terra e perda da biodiversidade, 80% do consumo de recursos hídricos e da contaminação de lençóis freáticos e por 20 a 30% das emissões de gases de efeito estufa. As embalagens desses produtos também são outra ameaça para a natureza.

Fonte: Diálogo sobre ultraprocessados: soluções para sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis

Linha do Tempo

Publicação do primeiro Guia Alimentar para a População Brasileira com as  primeiras diretrizes alimentares oficiais para a população, acima de dois anos.

Fonte: Guia Alimentar para a População Brasileira: Promovendo a Alimentação Saudável

Etapas do processo de elaboração da nova versão do Guia:

Etapa 1: Oficina de escuta na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, com participantes de todo o Brasil (profissionais dos setores da saúde, educação, assistência social e agricultura, professores de universidades, dirigentes de conselhos profissionais e de associações profissionais e membros de organizações de controle social de políticas públicas e de defesa do consumidor)

Etapa 2: Elaboração da primeira versão da nova edição do guia alimentar por uma equipe integrada por técnicos do Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana de Saúde e pesquisadores do Nupens/USP. 

Etapa 3: Oficina de avaliação na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP). Participaram gestores, profissionais, representantes da sociedade civil organizada e pesquisadores (relação de participantes ao final deste Anexo). 

Etapa 4: Elaboração da segunda versão da nova edição do guia alimentar por uma equipe integrada por técnicos do Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana de Saúde e pesquisadores do Nupens/USP

Etapa 5: Consulta pública,  27 oficinas estaduais. Encontros com conselhos regionais de nutricionistas e universidades locais e outras reuniões

Processo de consulta pública da nova proposta do Guia Alimentar da População Brasileira (CP nº 04/2014, DOU  7/2/2014). O processo gerou 3.125 contribuições de 436 indivíduos e/ou instituições diferente, sendo 201 representantes de instituições de ensino; 102 pessoas físicas; 58 secretarias, departamentos, coordenações de órgãos federais, estaduais e municipais; 53 associações, conselhos e entidades da área de alimentação e nutrição e/ou segurança alimentar e nutricional e organizações e instituições sem fins lucrativos; 17 indústrias, associações e sindicatos de alimentos; entre outros.

Fonte: Guia Alimentar para a População Brasileira: Relatório final da consulta pública

Etapa 6: Elaboração da versão final da nova edição do guia alimentar após as contribuições da consulta públicapela mesma equipe formada por técnicos e pesquisadores da CGAN/MS, da Opas e do Nupens/USP.

Publicação da 2ª versão final do Guia Alimentar da População Brasileira.

Fonte: Guia Alimentar para a População Brasileira

Os mitos sobre os alimentos ultraprocessados

O que a indústria te conta
Qual a verdade?
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As políticas que visam reduzir o consumo de produtos ultraprocessados prejudicarão o emprego.
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Pelo contrário, o impacto destas políticas é positivo na saúde e na economia. Isso se confirmou com exemplos como o do Chile, que criou um conjunto de ações — restrições de marketing e venda de produtos alimentícios ultraprocessados e alterações na rotulagem frontal dos produtos — e não experimentou uma redução nos postos de trabalho ou nos vencimentos médios no setor de alimentos e bebidas. O mesmo ocorreu no México, em 2014. A criação de imposto sobre bebidas açucaradas na Filadélfia (EUA) tampouco impactou nos empregos da indústria.

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Os produtos ultraprocessados podem simplesmente ser reformulados de modo a ficarem mais saudáveis.
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A mera substituição de ingredientes ou adição de compostos “saudáveis” para melhorar ou mascarar um perfil nutricional deficiente não exime os produtos ultraprocessados de serem prejudiciais à saúde. Isso porque, independentemente dos ingredientes, permanecem os processamentos intensos (como extrusão ou fritura por imersão), métodos considerados problemáticos. Além disso, há uma série de outras questões, como a alta palatabilidade que pode levar à dependência destes produtos, o conteúdo de contaminantes prejudiciais e a diminuição de alimentos mais saudáveis e minimamente processados da dieta.

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A indústria de alimentos oferece ao consumidor apenas o que ele quer
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Na realidade, a indústria cultiva a demanda dos consumidores por produtos ultraprocessados de maneira agressiva. Tais demandas são geradas por meio de campanhas publicitárias, promoções e construção de relacionamento com consumidores desde a infância. Além disso, as corporações transnacionais de alimentos e bebidas alavancaram seu enorme poder de mercado para alterar todos os sistemas alimentícios em seu benefício: elas controlam o preço, a disponibilidade, a qualidade nutricional e a conveniência de seus produtos e o resultado visto em todo o mundo é o rápido crescimento no consumo de produtos ultraprocessados e de doenças relacionadas ao seu consumo.

O que está acontecendo

Conjunto de ataques ao Guia Alimentar

Posicionamentos do Idec sobre ataques ao Guia Alimentar

Coordenadora do programa de Alimentação Saudável e Sustentável do Idec, Ana Paula Bortoletto, fala sobre os recentes ataques ao Guia Alimentar.
Guia Alimentar para População Brasileira ‘é um patrimônio nacional’

Artigo de Teresa Liporace, diretora executiva do Idec, publicado na coluna Tendências e Debates da Folha de S. Paulo.
Guia Alimentar deve ser protegido

O Idec notificou o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) exigindo transparência e publicização dos processo internos que motivaram o pedido de revisão urgente do Guia Alimentar para a População Brasileira encaminhado como nota técnica ao Ministério da Saúde.

O Idec assina o manifesto em defesa do Guia contra o pedido da Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, enviou ofício ao Ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, solicitando a urgente revisão do Guia Alimentar para a População Brasileira. O ofício é acompanhado de uma nota técnica que tenta negar as evidências científicas que atestam os malefícios à saúde provocados pelos produtos ultraprocessados.
Manifesto em defesa do Guia Alimentar para a População Brasileira

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