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Alimentação saudável será mais cara do que a não saudável a partir de 2026

O Guia Alimentar para a População Brasileira é o documento, desenvolvido pelo Ministério da Saúde, que deveria orientar os brasileiros sobre o que e como comer. Porém, por mais que a recomendação de se priorizar alimentos in natura ou minimamente processados seja clara, há outros fatores que influenciam nossas escolhas alimentares, um deles é o preço. Pesquisadores analisaram quais alimentos são mais baratos e acessíveis para a população e como os preços de comidas e bebidas saudáveis e ultraprocessadas se comportaram, desde 1995, e quais as tendências até 2030.

Pesquisadores
Emanuella Gomes Maia, Camila Mendes dos Passos, Renata Bertazzi Levy, Ana Paula Bortoletto Martins, Laís Amaral Mais e Rafael Moreira Claro
Instituições
Publicação
Janeiro de 2020

Por muito tempo, o Brasil pôde se orgulhar do acesso facilitado dos consumidores a alimentos in natura ou minimamente processados, como a tão famosa dupla arroz e feijão, contrariando a tendência mundial, em que os ultraprocessados – comidas prontas congeladas, por exemplo – eram mais baratos. Essa fator era fundamental para que a população fizesse escolhas alimentares mais saudáveis, ajudando na prevenção de doenças crônicas como as doenças do coração, diabetes e até câncer, responsáveis por quatro em cada seis mortes no mundo. No entanto, essa realidade brasileira vem mudando nas últimas décadas. O consumo de produtos ultraprocessados tem aumentado no País, e uma das causas é a mudança gradual dos preços, ou seja, os ultraprocessados estão se tornando cada vez mais baratos. Este estudo analisa como os preços dos alimentos e bebidas mais consumidos no Brasil se comportaram entre 1995 e 2017 e faz estimativas até 2030. Além disso, incentiva governos a adotarem políticas fiscais e estratégias nutricionais para impedir que esse cenário de inversão de preços aconteça.

Metodologia

Cálculo dos preços de 1995 a 2030

Dados da POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares) de 2008/2009 e do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), ambos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), foram usados para se calcular os preços mensais dos 102 alimentos e bebidas mais consumidos no Brasil. O período estimado foi de janeiro de 1995 a dezembro de 2017 e, além disso, foi feita uma previsão de custos até o ano 2030. Os valores encontrados foram corrigidos de acordo com a inflação acumulada até 2017, último ano com dados disponíveis no estudo. Posteriormente, os alimentos e bebidas foram classificados de acordo com as recomendações do Guia Alimentar, para se entender quais grupos de alimentos tiveram os maiores aumentos ou reduções nos preços.

  • 102 alimentos e bebidas mais consumidos no Brasil

Conclusão

De 1995 a 2017, alimentos processados, como os enlatados, integravam o grupo mais caro (R$ 7,64/kg), seguido de alimentos ultraprocessados (R$ 6,92/kg), e dos in natura ou minimamente processados (R$ 4,28/kg). O preço desses últimos produtos cresceu de forma contínua durante o período analisado (de R$ 3,45/kg em 1995 para R$ 4,69/kg em 2017). Contudo, apesar do preço dos alimentos processados também ter aumentado no mesmo período (de R$ 5,28/kg para R$ 8,55/kg), o crescimento foi gradualmente menor no decorrer dos anos. Por sua vez, o preço dos alimentos ultraprocessados aumentou durante o período inicial do estudo e começou a decrescer a partir dos anos 2000.

Alimentos ultraprocessados devem se tornar mais baratos do que os in natura ou minimamente processados em 2026

Dessa forma, alimentos saudáveis recomendados pelo Guia Alimentar devem se tornar mais caros do que alimentos não saudáveis a partir de 2026, quando o preço dos dois grupos se iguala. As estimativas mostram que, até 2030, a previsão é que os preços dos alimentos in natura e minimamente processados continuem crescendo (R$ 4,69/kg em 2017 para R$ 5,24/kg em 2030), enquanto os preços dos ultraprocessados devem decrescer (R$ 6,62/kg para R$ 4,34/kg) e o dos alimentos processados devem ficar estáveis.

Os pesquisadores ainda incetivam a criação de políticas fiscais e a implementação de estratégias nutricionais para estimular o consumo de alimentos saudáveis e, como consequência, a prevenção de doenças crônicas na população.

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