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Idec e centenas de organizações se opõem à Cúpula dos Sistemas Alimentares da ONU

Sociedade civil e povos indígenas lançam contra mobilização global para desafiar o fórum global das Nações Unidas, que contará com etapa dedicada para América Latina

20 de julho de 2021
(ATUALIZADO_EM 21 de julho de 2021)

São Paulo, 20 de julho de 2021 – O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e mais de 300 organizações da sociedade civil global, desde pequenos produtores de alimentos e pesquisadores até povos indígenas, irão se reunir online na Contra Mobilização dos Povos para Transformar os Sistemas Alimentares Corporativos, de 25 a 28 de julho, para fazer frente à Pré-Cúpula dos Sistemas Alimentares da ONU. Nos dias 22 e 23 de julho, será realizada uma rodada para organizações da América Latina.

A sociedade civil organizada argumenta que a Cúpula ignora os problemas reais que o planeta enfrenta. Resultante de uma parceria entre a ONU e o Fórum Econômico Mundial, formado pelas mil maiores corporações do mundo, a Cúpula é desproporcionalmente influenciada por corporações e carece de mecanismos de transparência e responsabilidade. É um espaço que desvia energia, massa crítica e recursos financeiros das soluções reais necessárias para enfrentar as múltiplas crises globais de fome, obesidade e mudanças climáticas.

Os sistemas alimentares globalizados e industrializados falham à maioria das pessoas, e a pandemia de Covid-19 piorou a situação. De acordo com o Relatório da ONU de 2021 sobre o Estado da Segurança Alimentar e Nutrição, o número de pessoas cronicamente desnutridas aumentou para 811 milhões, enquanto quase um terço da população mundial não tem acesso a alimentos adequados. O hemisfério sul ainda se recupera dos efeitos da crise, revelando as arraigadas assimetrias de poder estrutural, fragilidade e injustiça que sustentam o sistema alimentar predominante.

Mais de 380 milhões de pessoas compõem os movimentos transnacionais de camponeses e agricultores, mulheres, jovens, povos indígenas e tradicionais, pastores, sem-terra, migrantes, pescadores, extrativistas, trabalhadores da alimentação e da agricultura e consumidores – todos se juntam ao protesto. Eles exigem uma transformação radical dos sistemas alimentares corporativos em um sistema alimentar justo, inclusivo e verdadeiramente sustentável.

A sociedade exige maior participação nos modelos de governança alimentar democrática existentes, como o Comitê das Nações Unidas para a Segurança Alimentar Mundial (CSA) e seu Painel de Especialistas de Alto Nível. A Cúpula ameaça minar o CSA, que é a plataforma internacional mais inclusiva de formulação de políticas intergovernamentais. Ao priorizar excepcionalmente uma abordagem baseada nos direitos humanos, o CSA oferece um espaço para que os mais afetados tenham suas vozes ouvidas. No entanto, a estrutura multilateral da ONU está influenciada  por interesses corporativos para legitimar um sistema alimentar ainda mais prejudicial, que colabora para o agravamento de crises.

Esta contra mobilização reflete as preocupações sobre a direção que seguirá a Cúpula. Apesar das alegações de ser uma ‘Cúpula das Pessoas’ e uma ‘Cúpula de Soluções’, o evento facilita uma maior concentração corporativa, promove cadeias de valor globalizadas insustentáveis e impulsiona a influência do agronegócio nas instituições públicas.

As soluções promovidas pela Cúpula incluem modelos falhos de esquemas voluntários de sustentabilidade corporativa, soluções “positivas para a natureza” que incluem tecnologias de risco, como organismos geneticamente modificados e biotecnologia, e intensificação sustentável da agricultura. Eles não são sustentáveis nem acessíveis para produtores de alimentos em pequena escala e não tratam de injustiças estruturais.

A contra mobilização paralela compartilhará mensagens de produtores de alimentos em pequena escala e suas realidades e visões para uma transformação agroecológica baseada nos direitos humanos, destacando a importância da soberania alimentar, agricultura sustentável em pequena escala, consumo saudável e sustentável, conhecimento tradicional, direitos aos recursos naturais e aos direitos dos trabalhadores, povos indígenas, mulheres e gerações futuras nos sistemas alimentares.

As discussões se concentrarão em soluções reais: regras vinculativas para limitar privilégios corporativos, fim do uso de pesticidas e agroecologia como ciência, prática e movimento. O programa incluirá as seguintes atividades:

  • 22 de julho: Articular e mobilizar organizações da sociedade civil e povos indígenas,promover um fórum público de debate sobre a transição para os sistemas alimentares saudáveis na América Latina.
  • 23 de julho: Elaborar propostas de posicionamento regional da América Latina para a Contra Mobilização
  • 25 de julho: Encontro virtual global com pequenos produtores de alimentos e vozes populares.
  • 26 de julho: Declaração política seguida por três discussões em mesa redonda sobre o contexto da Covid-19, a fome e as crises climáticas e a captura corporativa da governança e da ciência.
  • 27 de julho: 15 sessões virtuais sobre as alternativas e visões das pessoas sobre os sistemas alimentares.
  • 28 de julho: Painel de encerramento apresentará conclusões preliminares e discutirá maneiras de desafiar A Cúpula dos Sistemas Alimentares da ONU em setembro.

Mais informações serão fornecidas durante uma coletiva de imprensa a ser realizada em inglês e espanhol no dia 22 de julho de 2021, das 09h30 às 10h15 (horário de Brasília), seguida por uma sessão de perguntas e respostas. Por favor, registre-se aqui para participar.

Contatos de imprensa

Brasil
Alan Azevedo – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec)
lanzevedo@gmail.com 

Global
Marion Girard – Mecanismo da Sociedade Civil e dos Povos Indígenas para relações com o Comitê das Nações Unidas sobre Segurança Alimentar Mundial
marion.girard.cisneros@csm4cfs.org 

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