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Qual é o melhor modelo de perfil nutricional para o novo modelo de rotulagem frontal do Brasil?

Muito se tem discutido sobre a adoção da rotulagem nutricional frontal e qual é o melhor modelo para informar os consumidores sobre as altas quantidades de nutrientes que podem levar ao excesso de peso e a doenças crônicas como as do coração e diabetes. Porém, como se definem os critérios para que determinado produto receba ou não a rotulagem frontal? Esse estudo comparou três dos modelos de perfil nutricional mais relevantes para o Brasil. Veja o que foi descoberto.

Pesquisadores
Ana Clara Duran, Camila Zancheta Ricardo, Laís Amaral Mais e Ana Paula Bortoletto Martins
Instituições
Publicação
Junho de 2020

Existe um consenso de que medidas como a rotulagem frontal são necessárias para informar as pessoas sobre a composição nutricional dos alimentos que elas estão consumindo e, dessa forma, reduzir a incidência de DCNTs (doenças crônicas não transmissíveis), como as do coração, diabetes e até cânceres. O Brasil, desde 2014, discute a implementação de rótulos frontais, porém há diversos modelos de perfil nutricional que definem os critérios para que determinado produto receba ou não a rotulagem frontal. Para entender qual seria o mais adequado para o Brasil, esse estudo fez um levantamento de 11.434 alimentos embalados encontrados nas cinco maiores redes varejistas do Brasil e verificou como seriam rotulados de acordo com três modelos de perfil nutricional diferentes: o da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), o da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e o utilizado no Chile, país em que a rotulagem nutricional frontal foi implementada em 2016. 

Metodologia

Foram aplicados os modelos de perfil nutricional da Opas, da Anvisa e do Chile

Os pesquisadores registraram 13 mil produtos encontrados nas cinco principais redes de supermercados do Brasil, dos quais 11.434 alimentos foram efetivamente analisados. Por meio de análises de composição nutricional, os pesquisadores buscaram entender se esses produtos receberiam rotulagem nutricional frontal de acordo com os critérios estabelecidos pelos três modelos de perfil nutricional considerados relevantes para o contexto brasileiro. A proporção de alimentos que deveria receber os alertas foi calculada no geral e também por categoria de produtos.

  • 11.434

    Alimentos analisados

Conclusão

Modelo de perfil nutricional da Opas é o mais eficaz

O estudo mostrou que o perfil nutricional mais eficaz para ajudar os consumidores a identificarem alimentos altos em nutrientes críticos é o proposto pela Opas, modelo segundo o qual 62% dos produtos embalados analisados deveriam receber rotulagem nutricional frontal. Esse mesmo número seria de 45% de acordo com a proposta da Anvisa e 41% se fosse seguido o perfil chileno. De forma geral, há um consenso entre os três modelos em mais de 80% dos alimentos analisados, porém em algumas categorias essa porcentagem é menor. O modelo proposto pela Opas é capaz de identificar mais alimentos altos em nutrientes críticos entre determinados tipos de produtos, como bebidas (lácteas ou não) altas em açúcar, vegetais enlatados e produtos de conveniência altos em sódio, alimentos para os quais houve maior diferença na identificação entre os modelos. Esse dado é especialmente relevante considerando que bebidas açucaradas representam 49% do consumo de açúcares adicionados no Brasil e são consumidas por um terço das crianças com menos de dois anos no país.

  • 62%

    Dos produtos embalados analisados receberiam rotulagem nutricional frontal com a adoção desse modelo

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